OS PRATOS DA VOVÓ
A minha avó guardava, com alegria,
muitos pratos, lindíssimos, de louça
Que ganhou de presente, quando moça.
e que esperava usar quem sabe? um dia.
Mas a vida passando tão insossa
e nada de importante acontecia
e ninguém pra jantar aparecia
que compensasse abrir o guarda-louça.
Vovó morreu. Dos pratos coloridos
que hoje estão quebrados e perdidos
ela jamais usou sequer um só.
Assim também meus sonhos, tão guardados,
terão, por nunca serem realizados,
o mesmo fim dos pratos da vovó.
FELICIDADE
Quando "eu era feliz e não sabia",
- como diz o poeta, na canção –
aos meus desejos, sempre, com ironia,
o meu destino respondia: não.
E tudo o que eu sonhava, a cada dia,
sempre ficava além da minha mão.
Se era feliz quem tinha o que queria
eu nunca pude ser feliz, então.
Hoje, afogado na realidade,
relembro a minha infância, com saudade,
não por ter sido um tempo em que eu sonhei,
mas porque, ainda envolto em fantasia,
eu não era feliz e não sabia,
como hoje não sou...mas hoje eu sei.
Poeta e escritor – São Fidélis /RJ
Extraído do Livro os Pratos de Vovó
--(Postado em 11/20/2008 05:34:00 AM)
A mais pura verdade! ;)
ResponderExcluir